Estou cansada. Acho que todo final de ano a gente fica um
pouco cansado e um pouco de saco cheio da vida. Não sei se acredito na numerologia
que diz que o ano de 2025 é um ano 9, encerramento
de ciclos... Mas me parece real.
Ontem eu estava com um pensamento fixo de que eu apenas
queria ser uma água-viva. Sabe? O animal? Então, queria ser uma água-viva que
fica flutuando pelo oceano, me alimentando de plânctons e larvas de peixes. Com
os meus tentáculos abraçando apenas o que necessário. Talvez essa seja uma meta
para o ano 1, ou também o conhecido 2026: abraçar apenas o necessário. Infelizmente
não posso me transformar numa água-viva ou viver num oceano, mas
definitivamente posso me responsabilizar por menos.
Eu queria fazer um resumo do meu ano de 2025, por que eu
percebo que minha memória não é das melhores e escrever sempre é um plano e
nunca uma realização. Talvez começar uma meta com 9 dias para acabar o ano seja
uma boa ideia. Não estou começando, estou apenas aquecendo.
Mas 2025 foi um ano complicado. Minha cachorra Malu morreu,
aos 13 anos, de câncer. Morreu nos meus braços, como meus outros três cachorros
que morreram cada um em um ano: Nino em 2023, Roy em 2024 e a Maluzinha, esse
ano.
Ela era uma cachorra maravilhosa, como todo cachorro é, mas
ela era minha favorita (que os outros não me ouçam). Sem ela, minhas conchinhas
ficaram vazias e minhas noites também. Ainda choro quando penso nela. Sinto
saudades todos os dias da minha pretinha.
Em 2025 eu vi neve pela primeira vez, viajei para casa do
meu namorado e estava no final do inverno. Foi uma delícia, como sempre é.
Namorar à distância é uma das coisas que eu quero encerrar
logo. Não aguento mais contar os dias para vê-lo e quando estou com ele, viver
cada dia como se fosse o último. Porque realmente tem fim. Detesto nossas
despedidas, apesar de ser grata por ter encontrado uma pessoa tão maravilhosa
na minha vida.
Em 2025 comecei a correr e fiz minhas primeiras corridas de
rua. E consegui correr 10km pela primeira vez esse ano (e única).
Emagreci e cheguei no meu peso idealizado por tantos anos:
69 quilos. Acho que finalmente me aceitei porque entendo que esse meu peso é o
meu “peso da beleza”. Se eu emagrecer mais, meu rosto vai derreter e não vou
ter colágeno nem dinheiro para fazê-lo segurar. Então estou satisfeita.
Comecei duas pós-graduações. Não consegui gostar delas
ainda, talvez não goste muito da minha profissão, inclusive. Mas esse ano me
fez perceber que eu sou melhor trabalhando sozinha. E gosto de trabalhar sozinha, acho que esse é
o mais importante.
Nos mudamos, ainda morando de aluguel, mas conseguimos
encontrar uma casa ótima, na qual eu sou muito grata. Muito mesmo. É uma pena
que os cachorros não conheceram essa casa, pois os cachorros que estão vivos
amaram muito.
Não tenho muitas expectativas para o próximo ano... apenas
viajar pra Itália, ficar milionária com um emprego que não precise trabalhar
tanto, ser saudável fisicamente e mentalmente e fazer bastante sexo. Acho razoável
para um adulto né? Espero realmente que esse novo ciclo de 9 anos seja mais
gentil comigo. Que eu seja mais gentil comigo. Que coisas boas aconteçam e que
as ruins sejam passageiras.